cAFÉ De MADRUGADA

terça-feira, 23 de junho de 2009

# 12:00 catarse

Segundo Aristóteles, a catarse refere-se à purificação das almas por meio de uma descarga emocional provocada por um drama.

Domingo, 21:30, eu não tinha forças para aplaudir e precisava chegar em casa o quanto antes. Desci o elevador do Sesc e atravessei a avenida num desespero e angústia, tamanha tinha sido minha catarse perante os acontecimentos de As Troianas, de Zé Henrique de Paula.

Essa experiência me afirmou mais ainda como ator que sou. Me deu visão do outro lado, do espectador, daquele que vivencia (ou como Viola Spolin, experencia) a mágica que nós desempenhamos no palco.

O texto de Eurípedes foi inserido no contexto da segunda guerra mundial, o que nos aproxima mais ainda dos conflitos, e nos incomoda. Ver aquelas mulheres sofrendo nas mãos dos nasistas (os Gregos de Eurípedes) e num espaço teatral intimista, uma sala de poucos lugares e pouca iluminação, era como ter as mãos amarradas, pois nada eu podia fazer ou mesmo entender, já que o diretor optou por diálogos em alemão. O grupo acredita na não necessidade da fala para expressar esses sentimentos profundos de dor e desespero. E utiliza de cantos judaicos tradicionais para compor o sofrimento das mulheres (as Troianas de Eurípedes).

É uma pena que os ingressos para a temporada no Sesc já estejam esgotados.

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domingo, 21 de junho de 2009

# 16:39 e palavras rodrigueanas




"De repente, descobri o teatro. Fui ver, com uns outros, um vaudeville. Durante os três atos, houve ali uma loucura de gargalhadas. Só um espectador não ria: - eu. Depois da morte de Roberto, aprendera a quase não rir; o meu próprio riso me feria e envergonhava. E, no teatro, para não rir, eu comecei a pensar em Roberto e na nudez violada da autopsia. Mas no segundo ato, eu já achava que ninguém devia rir no teatro. Liguei as duas coisas: - teatro e martírio, teatro e desespero. No terceiro ato, ou no intervalo do segundo para o último, eu imaginei uma igreja. De repente, em tal igreja, o padre começa a engolir espadas, os coroinhas a plantar bananeiras, os santos a equilibrar laranjas no nariz como focas amestradas. Ao sair do vaudeville, eu levava, comigo, todo um projeto dramático definitivo. Acabava de tocar o mistério profundíssimo do teatro. Eis a verdade súbita que descobrira: - a peça para rir, com essa destinação específica, é tão obscena e idiota como seria uma missa cômica"

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segunda-feira, 8 de junho de 2009

# 22:50 o roubo do pequeno álbum de fotografias




O Blogger roubou minhas fotos misteriosamente.
Meus posts estão orfãos agora.
Sinto um vazio no coração!

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