cAFÉ De MADRUGADA
terça-feira, 20 de outubro de 2009
# 21:07 magoa, magoa [sem fotos, por erros internos]
os lábios se tocam
o vento sussurra
um murmúrio de arrepiar
sufoca-me
o sangue treme
as pernas fervem
respiro a volúpia dos encontros casuais
sufoca-me
mata-me depressa
perco a voz
quero mais
meus sentidos estão apurados
perco a voz
quero mais
ardente e quente como asfalto
o suor embaça os meus olhos
e o calor me derrete pra você
o sangue ferve
silêncio e a vontade de gritar
respiro, perco a voz
mormaço
mata-me depressa.
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terça-feira, 22 de setembro de 2009
# 20:32 pirandelices
Um senhor, sua boina.
Um banco de praça.
Um guarda-chuva, e sua chuva.
Um cortejo ao longe.
Quem serão?
Sei que provocou uma compaixão naquele senhor solitário. É como se ele tomasse aquelas pessoas, aquele defunto, como parte de sua vida - algo para preencher seu vazio.
Observava a distância, sem poder chegar perto, sem poder demonstrar seu afeto.
Um sinal de cruz.
Um aceno tímido.
Se foram. A chuva também se foi. E o triste senhor voltava a sua vida, a sua realidade "imaginária".
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segunda-feira, 17 de agosto de 2009
# 14:20 arrumando malas
terça-feira, 23 de junho de 2009
# 12:00 catarse
Domingo, 21:30, eu não tinha forças para aplaudir e precisava chegar em casa o quanto antes. Desci o elevador do Sesc e atravessei a avenida num desespero e angústia, tamanha tinha sido minha catarse perante os acontecimentos de As Troianas, de Zé Henrique de Paula.Essa experiência me afirmou mais ainda como ator que sou. Me deu visão do outro lado, do espectador, daquele que vivencia (ou como Viola Spolin, experencia) a mágica que nós desempenhamos no palco.
O texto de Eurípedes foi inserido no contexto da segunda guerra mundial, o que nos aproxima mais ainda dos conflitos, e nos incomoda. Ver aquelas mulheres sofrendo nas mãos dos nasistas (os Gregos de Eurípedes) e num espaço teatral intimista, uma sala de poucos lugares e pouca iluminação, era como ter as mãos amarradas, pois nada eu podia fazer ou mesmo entender, já que o diretor optou por diálogos em alemão. O grupo acredita na não necessidade da fala para expressar esses sentimentos profundos de dor e desespero. E utiliza de cantos judaicos tradicionais para compor o sofrimento das mulheres (as Troianas de Eurípedes).
É uma pena que os ingressos para a temporada no Sesc já estejam esgotados.
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domingo, 21 de junho de 2009
# 16:39 e palavras rodrigueanas

"De repente, descobri o teatro. Fui ver, com uns outros, um vaudeville. Durante os três atos, houve ali uma loucura de gargalhadas. Só um espectador não ria: - eu. Depois da morte de Roberto, aprendera a quase não rir; o meu próprio riso me feria e envergonhava. E, no teatro, para não rir, eu comecei a pensar em Roberto e na nudez violada da autopsia. Mas no segundo ato, eu já achava que ninguém devia rir no teatro. Liguei as duas coisas: - teatro e martírio, teatro e desespero. No terceiro ato, ou no intervalo do segundo para o último, eu imaginei uma igreja. De repente, em tal igreja, o padre começa a engolir espadas, os coroinhas a plantar bananeiras, os santos a equilibrar laranjas no nariz como focas amestradas. Ao sair do vaudeville, eu levava, comigo, todo um projeto dramático definitivo. Acabava de tocar o mistério profundíssimo do teatro. Eis a verdade súbita que descobrira: - a peça para rir, com essa destinação específica, é tão obscena e idiota como seria uma missa cômica"
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segunda-feira, 8 de junho de 2009
# 22:50 o roubo do pequeno álbum de fotografias

O Blogger roubou minhas fotos misteriosamente.
Meus posts estão orfãos agora.
Sinto um vazio no coração!
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sexta-feira, 17 de abril de 2009
# 20:15 lembranças de um projeto de tango

O que me lembro, é que tinha acordado, e o sol ainda não havia feito o mesmo. Pensei em fechar os olhos novamente, mas algo em cima do criado-mudo me chamava a atenção: uma rosa. Sozinha, em cima de um livro. Coitado, eu já não abria suas páginas há dias, e pelo menos agora, uma flor lhe fazia companhia. Já que eu fui covarde e não fiz o mesmo.
Peço licença, pra deixar essa flor um pouco de lado, e falar daquelas páginas impressas, que me eram prazerosas no começo, mas que por algum motivo, negligenciei esse prazer. É absurdo como coisas simples assim, deixam de fazer sentido em nossa vida, e as deixamos de lado como aquela camisa velha que não nos veste mais.
Eu me divertia com a história, eu me envolvia nos dramas dos personagens, eu passava noites em claro lhes fazendo companhia e, de repente, deixei descansando sobre o criado. Ah, esquece! Voltemos a flor.
Aquela rosa também era solitária, principalmente porque eu não me lembrava dela. Na noite passada eu havia deitado sem ela ali em cima, e já fazia um bom tempo que ninguém passava por ali. As pessoas de minha vida tinham sumido, desde o momento em que sumi da vida delas também.
Mas o que a flor fazia ali? Sozinha, só ela e o livro! E era vivaz, alegre. Tinha o prazer de estar ali sozinha, e seu vermelho era uma intensa felicidade, pelo simples fato de ser uma flor. Não tinha espinhos, nem folhas. Era apenas um caule, com um botão na ponta.
Eu fiquei um tempo, com meus olhos fixos em cada um de seus detalhes. - Quem foi que te deixou aqui? Por que? Se ao menos você pudesse me responder, talvez eu conseguiria fechar os olhos novamente, e esperar que o sol acordasse.
(continua, um dia...)
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terça-feira, 14 de abril de 2009
# 00:47 chega um dia em que eu não te reconheço
Quer dizer...
Hoje, você me deixou de novo.
Depois a gente volta.
Sempre voltou.
Você voltou, voltou sempre,
e me deixou.
(...)
Se você não me quer mais, eu quero me perder
Se você não me quer mais, eu quero te perder.
(fragmento de Certa Noite - 3namassa)
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quarta-feira, 8 de abril de 2009
# 19:15 cadê meu título?

"Se não fosse o tempo dos damascos!"
Me imaginei vestido de calças escuras, a camiseta preta, a mochila nas costas, ou a sacola na lateral, pronto para bater três vezes com o taco no chão de madeira, e urrar o grito que quebraria o silêncio e que encheria toda a ilha com uma energia de outrora. Energia essa trazida pela tempestade.
"Aí tens, meu caro, guarda com carinho esta lembrança."
Os olhares de todas aquelas criaturas onipresentes eram fortes, brilhavam como um relâmpago, e tinham energia suficiente para aquecer nossos anseios e nossas paixões.
Paixão por estar naquela ilha novamente, por ter o controle daqueles feitiços, os quais eu havia abdicado em outros tempos.
"Boa noite, meu caro senhor."
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sexta-feira, 3 de abril de 2009
# 01:33 I Have a map of the Piano
Eu não tinha docilidade em meu olhar, eu não conseguia prestar atenção a pequenos detalhes e a coisas tão singelas.
Singelezas! Essa era uma palavra que não constava no meu dicionário de bolso. Que não me acompanhava em meus andares, os meus devaneios pela madrugada.
Eu tinha uma visão feia das coisas, era uma pessoa amargurada. Ressentida por não ter tido um passado, ou pelo menos por não me lembrar dele. Eu sei que tudo isso soa ambíguo - como pode um homem sem passado, não ter o prazer pelas coisas novas que está descobrindo?

Talvez por não ter um passado, eu não tinha como comparar. Eu não podia associar essa imagem a uma outra, e pensar, isso é mais bonito do que aquilo, ou aquilo outro é mais interessante que o primeiro. E por aí vai.
Eu era um homem sem destino, um andarilho e seus devaneios pela madrugada. Eu vinha de algum lugar, que não sabia qual, e menos ainda conseguia imaginar para onde iria. Mas pude ver a garotinha, pude notar seu sorriso e seus olhos atentos naquelas bolinhas coloridas. Ela observava atentamente o caminho que cada uma percorria quando era impulsionada pelos seus dedinhos tímidos e doces.
Aquilo me fez muito bem!
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